Há cerveja artesanal para todos os gostos em Lisboa
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Há cerveja para todos os gostos em Lisboa

A cerveja artesenal tem vindo a ganhar adeptos nos últimos anos, à medida que se foi dando a conhecer com a proliferação de cervejarias artesanais um pouco por todo o país. Em Lisboa, o que não falta são opções para beber uma cerveja artesanal fresquinha e o SPOT+ foi conhecer algumas delas.

Vasco, Adam e Rui têm em comum o amor pela cerveja artesanal e foi esse amor que os levou a abrir as suas cervejarias. Dos três, apenas o Vasco é que não fabrica a própria cerveja artesanal, embora tenha confessado ao SPOT+ que está nos planos.

A Cervetoria tem dois espaços em Lisboa: um ao pé do Técnico e outro perto da Católica, nas Laranjeiras, aproveitando da melhor maneira a proximidade com aqueles espaços universitários para atrair os estudantes que ali queiram terminar o dia com amigos. O espaço foi mesmo buscar inspiração ao universo estudantil, já que é uma mistura em "cerveja" e "reitoria".

Vasco é o gerente do espaço do Saldanha, mesmo pertinho do Arco do Cego, e explicou de onde surgiu a ideia de abrir o espaço: "A ideia surgiu porque em Portugal não havia muita cerveja artesanal, na altura. Há cerca de dois ou três anos é que houve assim um boom das marcas".

No início, havia principalmente cervejas estrangeiras. No entanto, com a crescente popularidade da cerveja artesanal, começaram a surgir também algumas marcas nacionais. O objetivo: a maior diversidade de cerveja artesanal possível.

"Começámos com muita cerveja estrangeira e depois começou a aparecer mais alguma cerveja portuguesa. O objetivo era juntar o maior número de cervejas de todo o mundo. Já tivemos cerveja da América Latina, Estados Unidos, de toda a Europa... Por acaso da Ásia ainda não tivemos, mas de quase todo o mundo. Agora estamos a focar-nos mais na cerveja portuguesa".

Vasco não produz a sua própria cerveja porque nenhum dos espaços da Cervetoria está preparado para isso: a cervejaria das Laranjeiras é demasiado pequena e no Saldanha é preciso reconverter o espaço, por questões de segurança. No entanto, começar a produzir a sua própria cerveja está nos planos.

Do Saldanha até Alcântara encontramos Adam, um norte-americano que viajou de Chicago até ao nosso país com a mulher, Raquel, para abrir uma brewpub. Foi cozinheiro no The Insólito e no The Decadente antes de se dedicar em exclusivo à Quimera Brewpub.

"Estou em Portugal há já seis anos, vim para ser cozinheiro, sempre cozinhei. Há três anos, comecei a fazer cerveja no The Decadente, em lotes muito pequenos, num conceito novo aqui em Lisboa. Há um ano abri este espaço e quero focar-me mais na cerveja, em vez de cozinhar".

É na adega no piso de baixo que Adam produz a sua própria cerveja, uma que conhece muito bem e sabe que tem qualidade... portanto irá agradar ao público.

"Eu faço cerveja principalmente do estilo americano, uso mais o lúpulo, porque é uma cerveja que eu conheço. Já bebo este tipo de cerveja há muitos anos e sei que é muito boa. Não tenho muita experiência com cervejas da Bélgica ou da Alemanha... Gosto de fazer a cerveja que conheço, porque posso provar e dizer 'OK, esta é uma boa cerveja'".

A Chimera Brewpub é um espaço único em Lisboa, uma vez que se situa num túnel com mais de 300 anos, que dava acesso ao Palácio das Necessidades.

"Tive um bocadinho de sorte. Andava à procura de um espaço para abrir o brewpub e, assim que entrámos, pensei que ia ser aqui. Está preparado para ser um brewpub, tem uma adega em baixo... Este túnel tem 300 anos e faz parte do Palácio das Necessidades, que é ali em cima. É um túnel muito antigo e é um espaço muito bom para um brewpub. Tem uma temperatura muito boa, quer no inverno, quer no verão..."

De regresso a Lisboa, vamos até à Praça das Flores, no Príncipe Real, para conhecer a Cerveteca. Rui abriu o espaço porque, tal como Vasco e Adam, gosta muito de cerveja artesanal e, na altura, já lá vão três anos, não havia muitos espaços dedicados a esta nova cultura urbana contemporânea.

"Abrimos por amor à cerveja. Porquê cerveja artesanal? Porque eu gosto de cerveja artesanal, gosto menos de cerveja industrial, em Lisboa não havia um espaço dedicado à cerveja. Eu já fazia cerveja, comecei a beber e a fazer cerveja artesanal fora de Portugal e quando cheguei a Lisboa senti a falta de um espaço dedicado a isso e achei que era boa ideia avançar".

À semelhança de Adam e da sua Quimera Brewpub, Rui encontrou na Praça das Flores o sítio ideal para abrir a sua Cerveteca.

"Eu não conhecia a Praça das Flores; aliás, eu não conhecia Lisboa. Vivi muitos anos fora e, quando vim viver para Lisboa e decidi avançar com este projeto, tive de uma pesquisa muito rápida... Tive andar muito a pé pela cidade e, quando cheguei aqui, adorei a praça. Este espaço estava livre, gostei da configuração do espaço, do sítio onde está e achei que era boa ideia. Adorei a praça, a Praça das Flores é muito, muito gira".

Cerveja é coisa que não falta na Cerveteca: há quase duas centenas de cervejas em catálogo e, fazendo jus ao nome, alguma bibliografia sobre cerveja artesanal para quem conhecer ou aprofundar os seus conhecimentos sobre o tema.

"Temos entre 150 a 200 rótulos e tentamos ter a maior variedade possível, sempre que conseguimos cerveja de qualidade. Temos sempre algumas belgas, algumas IPA, stouts e porters, imperial stouts. Tentamos ter lambics e outros estilos menos conhecidos, berliner weiss, cervejas envelhecidas em barris. Tentamos ter uma escolha muito variada. O objetivo não é ter muita cerveja, antes ter uma seleção abrangente e a que reconhecemos qualidade. Não temos uma cerveja só porque não temos o estilo".

"O nosso nome remete um bocadinho para a enoteca, a biblioteca... A Cerveteca pretende ser um espaço para a cerveja, com uma escolha cuidada... Temos uma pequena biblioteca sobre cerveja, com livros, revistas, publicações que vão surgindo e pretendemos que as pessoas que aqui vêm tenham um conhecimento razoável sobre cerveja e quem não tem vem para aprender um bocadinho".

Ora, a melhor maneira de descobrir uma cerveja, mais do que ler sobre ela, é através do cheiro e do paladar. Por isso mesmo, a Cerveteca oferece uma espécie de "experiência gastronómica" com várias cervejas artesanais à escolha.

"Qualquer pessoa que venha, se estiver na dúvida entre uma ou outra cerveja, pode provar antes de escolher. Temos ainda tabuleiros de prova, com cinco ou dez copinhos de 10 cl., para provar. Temos doze cervejas à pressão e as pessoas podem navegar nessas doze cervejas sem ter de pedir um copo inteiro... Nós acreditamos que as pessoas devem procurar entender qual é a cerveja de que gostam".

Cervejarias é coisa que não falta por estes dias e estes três são apenas alguns dos espaços que a capital oferece para quem gosta de cerveja artesanal. Em todos eles oferecem petiscos para acompanhar a sua cerveja preferida e, agora que o tempo puxa para isso, sabe sempre bem uma cerveja gelada ao fim da tarde enquanto se comem umas tapas.

Há cerveja artesanal para todos os gostos em Lisboa
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